O teatro alemão tem no exterior a fama de ser barulhento e narcisista. Mas é um teatro com um sistema institucional admirado no mundo inteiro. Mesmo em pequenas cidades existem, ao lado do teatro, óperas e balés. No conjunto, um Panorama teatral marcante, uma densa rede de teatros federais e municipais, de teatros itinerantes e privados. Surgiu, além disso, relacionado ao movimento estudantil de 68, um Cenário teatral amplo: os grupos independentes, que são até hoje um sinal da existência de uma inquebrantável paixão pelo teatro, com o desejo firme de se expressar. Na Alemanha, muitas idéias, muita atenção e muitos recursos são aplicados nesse sistema. Para muitos, isso significa um luxo, principalmente porque os teatros só arrecadam dez a quinze por cento do valor investido. Os teatros privados também estão incluídos no sistema público, através das subvenções que recebem, como no caso do famoso Berliner Schaubühne, que o diretor Peter Stein fundou e marcou profundamente. Esse sistema atingiu há muito o ápice de seu desenvolvimento e encontra-se numa fase difícil, porque a arte é sempre avaliada de acordo com os recursos materiais que lhe foram destinados.
Peter Stein foi considerado, durante muito tempo, um personagem excepcional do teatro alemão. Ao contrário de outros diretores, criou uma obra que se revelava através da continuidade e repetição de motivos, temas e autores. Um teatro da lembrança com um estilo de encenação comprometido com o texto. Há mundos de distância entre Peter Stein, Peter Zadek ou Claus Peymann, diretor do Berliner Ensemble, e a geração atual. Não é mais possível compreender o teatro contemporâneo utilizando a linguagem desses rebeldes da geração de 68. Expressões como esclarecer, instruir, desmascarar, intervir, soam antiquadas. O teatro dos jovens não se considera mais vanguarda. Ele procura novas formas de expressão. Depois da jovem euforia dos anos 90, ligada aos nomes de Leander Haußmann, Stefan Bachmann e Thomas Ostermeier, iniciou-se uma fase na qual esses diretores se transformaram em administradores de teatro.
Frank Castorf, conhecido como destroçador de peças, que fragmenta os textos para depois recompô-los, tornou-se com seu teatro Berliner Volksbühne o modelo para aquela geração de diretores. Christoph Marthaler e Christoph Schlingensief são também símbolos de uma concepção diferente do teatro, que era a resposta para os deslocamentos depois do fim da Guerra Fria e da entrada em cena do capitalismo global. Diretores como Michael Thalheimer, Armin Petras, Martin Kusej, René Pollesch e Christina Paulhofer criaram formas de encenação onde o estilo prevalece sobre o conteúdo. Narrativas convencionais próximas ao texto lhes são estranhas. Aquilo que determinou durante 250 anos o teatro alemão, a confrontação com a sociedade, deu lugar a uma diversidade colorida, como prova o anual Encontro de Teatro de Berlim. O teatro, no entanto, nunca esteve desligado da época em que era produzido. Ele precisa criar imagens de nossa vida. E é um trabalho de memória. Para isso o teatro recebe subvenções. Essa é sua função pública.